A voz funciona como meta instrumento, de tal forma que ela própria e a análise informática do desempenho vocal são a matéria da qual brota o conjunto do tecido sonoro apresentado ao vivo, numa relação harmónica e

polifónica de uma solista com um músico de electrónica musical e espacialização sonora.

De uma forma dinâmica e em tempo real, todos os sons são gerados a partir do estímulo vocal e, por vezes, da exploração sonora de um armário antigo, objecto de cena que também funciona como harpa e caixa acústica. Estes sons ao serem produzidos são simultaneamente transformados por ferramentas de informática musical, especialmente concebidas para este projecto, numa composição algorítmica estruturada, preenchida pela dialéctica de improvisação entre a voz, os sons extraídos do armário e as diferentes vozes a serem metamorfoseadas. A composição musical da peça surgiu então desta dialéctica sensível e detalhada, por um processo mútuo de brincadeira/experimentação e a sedimentação dos sons que se iam desvelando.

Criação e Interpretação: Chiara Picotto e Sofia Figueiredo 

Composição Musical: Chiara Picotto e Simão Costa 

Direcção Técnica e Desenho de luz: Anatol Waschke 

Adereços: João Calixto e Mathieu Crespin 

Produção: Dolores de Matos, FIAR Centro de Artes de Rua 

Produção Executiva: Andrea Sozzi e João Chicó

Apoios: Companhia de dança de Lisboa, Piajio – Incrível Club de Almada,

Palco Oriental, Luís Filipe Baptista, Miguel Reduto, Teatro o bando,

Misomusic Portugal, Hospital Miguel Bombarda.